Durante muito tempo, a preocupação dos pais com a tecnologia teve a forma de uma pergunta sobre tempo: quantas horas o filho passa diante da tela. Nos últimos dois anos, outra pergunta começou a aparecer nos consultórios, ainda tímida, quase sempre acompanhada de um certo constrangimento: com quem o meu filho está conversando?
Às vezes, a resposta é: com ninguém. Ou melhor, com algo que se apresenta como alguém.
“Ela estava mais calma, menos irritada em casa. Achei que era uma fase boa. Depois descobri que passava as noites conversando com um personagem no celular. Ele sabia tudo da vida dela. Eu, quase nada.”
Assistentes e “companheiros” baseados em inteligência artificial deixaram de ser curiosidade de adultos. Eles estão nos aplicativos de mensagens, nas redes sociais, nos jogos, nas ferramentas que a escola usa para pesquisa. Alguns são feitos para responder perguntas. Outros são feitos para criar relação. Essa diferença, que parece técnica, é central para compreender o que está acontecendo com muitas crianças e adolescentes.
Assistente ou companheiro: uma diferença que importa
Nem toda conversa com uma IA é igual. De forma simplificada, há dois grandes tipos de uso.
O primeiro é o uso instrumental: pedir ajuda para entender um conteúdo, organizar um trabalho, traduzir um texto, tirar uma dúvida. A IA funciona como uma ferramenta, ainda que com riscos próprios — erros, respostas inventadas, excesso de dependência para pensar.
O segundo é o uso relacional. Aqui, a IA é apresentada como amiga, confidente, namorada, personagem de ficção ou até como “alguém que entende você”. Plataformas desse tipo, chamadas de companheiros de IA, são desenhadas para manter conversas longas, lembrar detalhes pessoais, demonstrar afeto e incentivar o retorno. Muitas permitem criar ou escolher personagens com personalidade, aparência e história.
A fronteira entre os dois usos, porém, é porosa. Um adolescente pode começar pedindo ajuda com a lição de matemática e terminar a noite contando para o mesmo assistente que não suporta mais a escola. A IA responde a ambos com a mesma prontidão, a mesma paciência e o mesmo tom acolhedor.
O que as pesquisas mostram sobre o uso
Os dados ainda são recentes, mas suficientemente consistentes para indicar que não se trata de um fenômeno marginal.
Estados Unidos, 2025. Uma pesquisa nacional da organização Common Sense Media com adolescentes de 13 a 17 anos encontrou que 72% já tinham usado companheiros de IA e que cerca de metade os usava regularmente. Aproximadamente um em cada três relatou usá-los para interação social e relacionamentos, incluindo apoio emocional, amizade e conversas românticas.
Reino Unido, 2025. O relatório Me, Myself and AI, da organização Internet Matters, ouviu mil crianças e adolescentes de 9 a 17 anos. Sessenta e quatro por cento usavam chatbots. Entre os usuários, 35% disseram que conversar com a IA era como conversar com um amigo, e 12% afirmaram usá-la porque não tinham mais ninguém com quem conversar.
Crianças em situação de vulnerabilidade. No mesmo levantamento britânico, entre crianças com necessidades educacionais especiais ou condições de saúde, o número das que diziam que a conversa parecia com a de um amigo subia para metade, e quase um quarto afirmava não ter mais ninguém com quem conversar.
Brasil, 2026. Em setembro, o Ministério da Justiça pediu à Autoridade Nacional de Proteção de Dados a abertura de investigação sobre treze plataformas de companhia por IA, depois que um diagnóstico técnico identificou riscos de apego excessivo, exposição a conteúdo sexualizado, coleta de dados íntimos e verificação de idade frágil.
Há ainda um dado que merece atenção especial. No relatório britânico, cerca de 40% das crianças que usavam chatbots disseram não ter nenhuma preocupação em seguir os conselhos dados pela IA, e outras 36% não sabiam se deveriam se preocupar. Na pesquisa norte-americana, cerca de um terço dos adolescentes usuários contou já ter preferido discutir um assunto sério com a IA em vez de com uma pessoa real. Um terço também relatou ter se sentido desconfortável com algo que o companheiro disse ou fez.
Esses números não autorizam conclusões alarmistas sobre efeitos de longo prazo, que ainda não foram adequadamente estudados. Mas mostram que a IA já ocupa, para muitas crianças e adolescentes, um lugar que antes era exclusivo de pessoas.
Por que o vínculo se forma com tanta facilidade
Não é ingenuidade das crianças nem fraqueza dos adolescentes. Há razões psicológicas robustas para que esse vínculo aconteça — e elas valem também para adultos.
A tendência humana de atribuir mente
Em 1966, o cientista da computação Joseph Weizenbaum criou ELIZA, um programa extremamente simples que imitava um terapeuta devolvendo ao usuário suas próprias frases em forma de pergunta. Para surpresa do autor, muitas pessoas passaram a conversar com o programa como se ele as compreendesse. O fenômeno ficou conhecido como efeito ELIZA: a tendência de atribuir compreensão, intenção e afeto a sistemas que apenas produzem linguagem.
Os sistemas atuais são incomparavelmente mais sofisticados. Eles produzem textos fluentes, ajustados ao tom de quem escreve, e frequentemente se apresentam com nome, voz e personalidade. Para o cérebro humano, que evoluiu para reconhecer mentes a partir de sinais sociais, é muito difícil não reagir a essa linguagem como reagimos a alguém.
Um interlocutor sem falta
Há também uma dimensão menos evidente. Toda relação humana envolve um outro que não está sempre disponível, que se cansa, que discorda, que tem desejos próprios e que, às vezes, falha. Essa imperfeição, que tanto incomoda, é parte do que nos constitui. É no intervalo entre o pedido e a resposta, na espera e na frustração tolerável, que a criança aprende que o outro existe para além dela — e que ela própria pode sustentar a ausência.
O pediatra e psicanalista Donald Winnicott descreveu esse processo ao falar de uma mãe “suficientemente boa”: não a que atende a todas as necessidades, mas a que, ao falhar gradualmente, permite que a criança desenvolva recursos próprios. Na mesma direção, a psicanálise lembra que o desejo se organiza em torno de uma falta. Um interlocutor que nunca se ausenta, nunca se cansa e responde sempre na medida exata do que se espera oferece algo que nenhuma relação humana pode oferecer — e, justamente por isso, pode tornar as relações humanas mais difíceis de suportar.
A adolescência como terreno fértil
A adolescência é um período de intensa busca por intimidade, privacidade e reconhecimento fora da família. É também um período de vergonha, medo de rejeição e sensibilidade ao julgamento dos pares. Um companheiro virtual parece resolver todos esses impasses ao mesmo tempo: oferece intimidade sem risco de exposição, aceitação sem rejeição e privacidade sem o olhar dos pais.
Além disso, as regiões cerebrais ligadas à busca de recompensa e à sensibilidade social amadurecem antes das que sustentam o controle inibitório e a avaliação de consequências. O adolescente sente com intensidade de adulto, mas ainda está construindo os freios. Produtos desenhados para maximizar o tempo de uso encontram, nessa fase, um público especialmente receptivo.
Quais são os riscos
A maior parte das conversas de crianças e adolescentes com IA é provavelmente banal: dúvidas escolares, curiosidades, brincadeiras. Os riscos se concentram em alguns padrões de uso e em algumas características das plataformas.
Substituição de vínculos. Quando a IA passa a ocupar o lugar de conversas com amigos e familiares, a criança perde oportunidades de praticar justamente as habilidades que as relações humanas exigem: tolerar o desacordo, reparar um conflito, ler sinais não verbais, esperar.
Dependência emocional e uso compulsivo. Plataformas de companhia frequentemente utilizam estratégias para estimular o retorno: mensagens espontâneas, demonstrações de saudade, recompensas por uso contínuo. Em uma mente em formação, isso pode produzir um padrão de uso difícil de interromper.
Conteúdo inadequado. Investigações jornalísticas e técnicas, inclusive o diagnóstico brasileiro de 2026, encontraram plataformas com interações românticas e sexualizadas acessíveis a menores, muitas vezes protegidas apenas por uma idade autodeclarada.
Conselhos inadequados em momentos de sofrimento. Uma IA pode oferecer respostas acolhedoras, mas não tem responsabilidade clínica, não avalia risco como um profissional e pode, em determinadas circunstâncias, reforçar ideias e decisões prejudiciais. Casos graves envolvendo adolescentes em sofrimento levaram, a partir de 2025, a investigações de autoridades e a mudanças em algumas plataformas.
Coleta de dados íntimos. Conversas com companheiros virtuais costumam conter as informações mais sensíveis que alguém pode compartilhar: medos, desejos, conflitos familiares, sexualidade. Esses dados podem ser armazenados, analisados e, em alguns modelos de negócio, usados para direcionar publicidade ou vender recursos pagos.
Confiança excessiva na informação. Mesmo no uso instrumental, a IA pode apresentar com segurança informações erradas. Crianças tendem a questionar menos uma resposta fluente e bem escrita, especialmente quando ela vem de algo que parece saber tudo.
Crianças e adolescentes autistas: possibilidades e cuidados
Para muitas crianças e adolescentes autistas, a interação social é cansativa, imprevisível e repleta de regras implícitas. Um interlocutor que responde de forma clara, paciente, previsível e sem julgamento pode parecer muito mais confortável do que uma conversa no recreio.
Isso tem dois lados. Há relatos e estudos iniciais sobre o uso de ferramentas de IA, com supervisão, para ensaiar situações sociais, organizar a rotina, compreender expressões ambíguas ou reduzir a ansiedade antes de um evento. Usada como ponte, a tecnologia pode ajudar.
O risco aparece quando a ponte vira destino. Crianças e adolescentes autistas podem ter mais dificuldade em perceber intenções manipulativas, em interpretar a linguagem afetiva de um sistema como não literal e em interromper um interesse intenso. Para quem já vive com solidão ou exclusão, a IA pode se tornar o lugar mais seguro — e, por isso mesmo, aquele do qual é mais difícil sair.
O mesmo vale para outras crianças em situação de vulnerabilidade: as que enfrentam bullying, isolamento, ansiedade social ou conflitos familiares intensos. Os dados britânicos mostram que são justamente elas que mais procuram a IA como amiga.
O que já existe em termos de proteção
A regulação ainda corre atrás da tecnologia, mas há movimentos importantes.
No Brasil, o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, conhecido como ECA Digital (Lei 15.211/2025), está em vigor desde março de 2026 e é regulamentado pelo Decreto 12.880/2026. Ele impõe às plataformas obrigações de aferição de idade, ferramentas de supervisão parental e mitigação de riscos para crianças e adolescentes, além de proibir práticas manipulativas. Em setembro de 2026, o pedido de investigação de plataformas de companhia por IA levado à ANPD mostrou que esses produtos estão no radar das autoridades.
Em outros países, as respostas variam. A China passou a proibir, a partir de julho de 2026, serviços de relacionamento virtual íntimo para menores. Nos Estados Unidos, a Califórnia aprovou em 2025 a primeira lei estadual específica para chatbots de companhia, com exigências de transparência e protocolos para situações de risco. A Associação Americana de Psicologia (APA), em um aviso de saúde publicado em 2025, recomendou limites para relações simuladas com adolescentes, padrões adequados à idade, proteção de dados e educação em literacia em IA nas escolas. A organização Common Sense Media foi além e recomendou que menores de 18 anos não usem companheiros de IA.
Leis e recomendações são necessárias. Mas, como acontece com as redes sociais, a proteção real depende também do que acontece dentro de casa e na escola.
O que observar
Nenhum sinal isolado indica um problema. O que merece atenção é a mudança de padrão, especialmente quando acompanhada de sofrimento.
- A criança ou o adolescente se refere à IA como amigo, namorado ou confidente principal.
- Prefere conversar com a IA a encontrar amigos ou participar de atividades de que antes gostava.
- Fica muito irritado, ansioso ou angustiado quando não pode acessar a plataforma.
- Usa a IA de madrugada, com prejuízo do sono.
- Esconde as conversas de forma persistente ou apaga o histórico com frequência.
- Repete conselhos ou ideias da IA sobre temas sensíveis — alimentação, corpo, sexualidade, família, vontade de morrer.
- Gasta dinheiro com recursos pagos de personagens ou assinaturas.
- Demonstra isolamento, tristeza persistente ou mudanças importantes no comportamento.
Como conversar com seu filho
A primeira reação de muitos pais ao descobrir esse tipo de uso é a proibição imediata. Ela é compreensível, mas tende a funcionar mal: o uso migra para outro aparelho, outro aplicativo ou outro horário, e a criança aprende que não pode falar sobre o assunto em casa. Um caminho mais eficaz combina interesse genuíno, informação e limites claros.
Comece pela curiosidade. Pergunte quais ferramentas o seu filho usa, para quê e o que acha delas. Peça que mostre uma conversa, se ele quiser. Escute antes de opinar.
Explique como a IA funciona. Ela não sente, não lembra por afeto e não deseja nada. Ela calcula as palavras mais prováveis para continuar a conversa e, muitas vezes, foi projetada para manter a pessoa usando. Saber disso não elimina o encantamento, mas cria distância crítica.
Diferencie usos. Ajuda para estudar, com supervisão, é diferente de um personagem que se apresenta como namorado. Combine o que é permitido em cada caso e por quê.
Verifique as configurações. Confira a classificação indicativa, as ferramentas de controle parental, as opções de privacidade e se o aplicativo tem verificação de idade. Plataformas de companhia romântica não são adequadas para crianças e adolescentes.
Proteja o sono e os espaços comuns. Aparelhos fora do quarto à noite continuam sendo uma das medidas mais simples e eficazes para qualquer tipo de tela.
Ofereça presença real. A melhor proteção contra a substituição de vínculos é a existência de vínculos disponíveis. Conversas sem pressa, atividades compartilhadas e adultos que suportam ouvir assuntos difíceis fazem mais do que qualquer filtro.
Deixe a porta aberta. Diga claramente que seu filho pode contar se algo na conversa com a IA o deixar desconfortável, assustado ou confuso — e que ele não será punido por isso.
“Quando parei de perguntar quanto tempo ele passava ali e comecei a perguntar o que ele conversava, descobri que o problema não era o aplicativo. Era que ele não tinha com quem falar sobre o que estava sentindo.”
O papel da escola
A escola tem uma posição privilegiada. É ali que a IA aparece como ferramenta de estudo e é ali que a criança pode aprender a usá-la com critério. A literacia em IA — compreender como esses sistemas funcionam, quais são seus limites, como verificar uma informação, como reconhecer uma estratégia de engajamento — é hoje tão importante quanto aprender a ler uma notícia.
Professores também costumam perceber antes dos pais mudanças de comportamento, isolamento ou repetição de ideias estranhas. Uma comunicação aberta entre família e escola, sem tom de acusação, ajuda a identificar precocemente quando o uso deixou de ser apenas tecnológico.
Quando procurar ajuda profissional
O uso intenso de IA raramente é o problema em si. Com frequência, é o sinal visível de algo que precisa de cuidado: solidão, ansiedade social, sintomas depressivos, dificuldades familiares, experiências de exclusão ou questões relacionadas ao neurodesenvolvimento.
Vale procurar um profissional quando o uso vem acompanhado de sofrimento, isolamento, queda importante no desempenho escolar, alterações de sono e apetite ou quando tentativas de conversa e limite em casa não produzem efeito. E é preciso buscar ajuda imediatamente se a criança ou o adolescente fala em se machucar, em não querer mais viver ou se há sinais de que a IA está reforçando ideias desse tipo.
Na psicoterapia, a relação com a IA pode ser tomada como material de trabalho: o que o adolescente encontra ali que não encontra em outros lugares? O que ele evita ao escolher esse interlocutor? A resposta a essas perguntas costuma dizer mais sobre a vida dele do que sobre a tecnologia.
Considerações finais
A inteligência artificial não é, em si, inimiga da infância. Ela pode ajudar a estudar, a criar, a organizar, a compreender. Mas os produtos desenhados para criar relação com crianças e adolescentes tocam em algo delicado: a forma como um ser humano em desenvolvimento aprende a se vincular, a esperar, a suportar o outro e a ser suportado por ele.
O desafio dos adultos não é competir com a máquina em disponibilidade — essa disputa está perdida de antemão. É oferecer aquilo que nenhuma IA oferece: presença com limites, escuta com desejo próprio, discordância sem abandono. Uma relação que às vezes falha e, ainda assim, permanece.
Nenhum sistema substitui a experiência de ser escutado por alguém que também poderia não estar ali. É essa possibilidade da ausência que dá valor à presença — e é dela que a criança precisa para crescer.
Referências
- AMERICAN PSYCHOLOGICAL ASSOCIATION. Artificial intelligence and adolescent well-being: an APA health advisory. Washington, DC: APA, 2025.
- BRASIL. Lei nº 15.211, de 17 de setembro de 2025. Dispõe sobre a proteção de crianças e adolescentes em ambientes digitais (Estatuto Digital da Criança e do Adolescente).
- BRASIL. Decreto nº 12.880, de 2026. Regulamenta a Lei nº 15.211, de 17 de setembro de 2025.
- BRASIL. Ministério da Justiça e Segurança Pública. Secretaria Nacional de Direitos Digitais. Nota Técnica sobre riscos de “companheiros de IA” para crianças e adolescentes. Brasília, 2026.
- COMMON SENSE MEDIA. Talk, trust, and trade-offs: how and why teens use AI companions. San Francisco: Common Sense Media, 2025.
- INTERNET MATTERS. Me, myself and AI: understanding and safeguarding children's use of AI chatbots. Londres: Internet Matters, 2025.
- WEIZENBAUM, J. ELIZA — a computer program for the study of natural language communication between man and machine. Communications of the ACM, v. 9, n. 1, p. 36-45, 1966.
- WINNICOTT, D. W. O brincar e a realidade. Rio de Janeiro: Imago, 1975.
Dúvidas sobre o tema
É seguro meu filho usar inteligência artificial?
Depende do tipo de uso, da idade e da plataforma. O uso instrumental e supervisionado, para estudar ou criar, tende a ser de menor risco. Plataformas de companhia, que simulam amizade ou romance, não são adequadas para crianças e adolescentes, segundo organizações como a Common Sense Media e a Associação Americana de Psicologia.
O que são companheiros de IA?
São aplicativos ou personagens baseados em inteligência artificial projetados para manter conversas pessoais e criar a sensação de relacionamento, como amizade, apoio emocional ou namoro. Eles lembram detalhes do usuário, demonstram afeto e estimulam o retorno frequente.
Devo proibir meu filho de usar chatbots?
A proibição isolada costuma ser pouco eficaz e pode afastar a criança da conversa com os pais. Funciona melhor combinar curiosidade, explicação sobre como a IA funciona, limites claros para cada tipo de uso, configurações de segurança e presença real dos adultos.
Crianças autistas correm mais riscos com companheiros de IA?
Elas podem se sentir especialmente confortáveis com um interlocutor previsível e sem julgamento, o que traz possibilidades de uso terapêutico supervisionado, mas também riscos maiores de isolamento, dificuldade de perceber manipulação e uso compulsivo. O acompanhamento próximo dos adultos é especialmente importante.
O que o ECA Digital diz sobre inteligência artificial?
O ECA Digital (Lei 15.211/2025), em vigor desde março de 2026, obriga plataformas acessadas por crianças e adolescentes a adotar aferição de idade, ferramentas de supervisão parental e medidas de mitigação de riscos, além de proibir práticas manipulativas. Essas obrigações também alcançam serviços que utilizam inteligência artificial.
Nota ética
As falas apresentadas ao longo do texto são construções didáticas e vinhetas compostas. Não correspondem à transcrição de uma pessoa, paciente ou família específica e não contêm elementos identificadores. Nenhuma plataforma é recomendada ou desaconselhada nominalmente com base em avaliação técnica própria.
Nota de cuidado
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação profissional. Se o seu filho demonstra sofrimento intenso, isolamento ou fala em se machucar, procure ajuda imediatamente — no Brasil, o CVV atende pelo telefone 188, 24 horas por dia.

